Era pra ser uma melhor de 3: Mas nem precisou...

  

 Sempre fomos um time dos Prédios. No caso, do Conjunto Residencial Vila Moraes.

Eu tinha um grande amigo chamado Cléber, mais conhecido como Babu, que morava no Conjunto de prédios da Avenida Padre Arlindo, em frente aos supermercados Terranova, hoje Ricoy.
Ele era goleiro de um bom time chamado Powers, feito com moradores desse prédio. 
Hoje, coincidentemente, nesse mesmo local, morou o outro goleiro do Revoltados, o Paulo. 

Nós resolvemos fazer uma melhor de três entre os dois condomínios. Fizemos um rateio entre os dois times e compramos um troféu, para o vencedor da melhor-de-três. 

No começo rolou um certo temor pois o condomínio deles é bem maior que o nosso, com 13 blocos, o que fazia eles terem mais bons jogadores em potencial. Isso em tese, né?

O nosso condomínio tinha só 05 blocos. Mas, o Vitória Régia era bem entrosado e tinha grande disciplina tática. Foi a fase mais bem organizada taticamente entre todas as fases do time.

Escolhemos como local para os jogos a Quadra do Colégio Joaquim Nabuco, que era perto pros dois adversários.

Como era quadro único, os jogos foram 40x40 sem limite de substituições para que todo mundo jogasse bastante.

O primeiro jogo foi duríssimo. Nenhum adversário conseguia abrir dois gols de diferença e o jogo foi alternando, com os dois times liderando o placar, ora um ora outro.

E foi assim até o 11x11. Até que o jogador Tel sentiu uma falta que levou do adversário. No seu lugar entrou o Tom. Como era os minutos finais, o Tel queria voltar, para jogar no sacrifício. Mas o Tom entrou descansado e muito bem e foi o nome do jogo, fazendo 02 gols decisivos e o nosso time acabou vencendo por 14x11.

O Tel ficou muito bravo porque eu não permiti que ele voltasse, porque ele tava machucado, pois nem precisava, o Tom deu conta do recado.Ao invés de comemorar a vitória suada, tivemos um pepino gigante na mão, com o Tel saindo do time e fazendo a sua famosa "revolução".

Na verdade, observando o caso com calma, com a malandragem que a gente tem hoje, eu acho que o que o Tel queria era sair do time no segundo jogo, pois ele sabia que era um desfalque muito importante. 

Sendo assim, a gente perderia o segundo jogo e a gente iria pedir pro Tel pelo amor de Deus pra ele voltar para a terceira partida, decisiva.

E ele voltaria como nosso herói pra nossa triunfal vitória. Ou seja, nós íamos comer como pombos na mão dele. Era uma estratégia brilhante até, eu diria.

O que ele não contava era com a nossa capacidade de improvisação. O Tom, pivô da crise, se sentindo meio culpado pela situação trouxe seu primo Tonho para o lugar do Tel. Jonas e Hélon trouxeram parte do Napoli, um time de amigos nossos que sempre jogavam com a gente: Mauro, Maurício, Topô....

O resultado disso foi que o segundo jogo foi um passeio do Vitória Régia. O Powers não teve a mínima chance em nenhum momento e vencemos por 14x07, sem grandes sustos, até para nossa surpresa.
Até tiramos o pé no segundo tempo, porque cabia mais se a gente quisesse. 

A derrota no segundo jogo era até mais ou menos esperada pela gente, que tivemos uma semana tensa e achávamos que os caras viriam babando pra cima da gente para forçar o terceiro jogo.  

Com duas vitórias seguidas, nem precisou do terceiro jogo e demos volta olímpica com o troféu, foi uma grande felicidade.
Fomos tomar Tubaína para comemorar. Era uma tradição da época.
É bom lembrar que nossos jogadores tinham entre 14 e 18 anos nessa época.

O Tel acabou voltando pro time, no jogo seguinte. Ele quis dar uma demonstração de sua força, mas nós, na base da união, demos o troco.
E mostramos pra ele, que apesar de reconhecer que ele era importante e fundamental, nós éramos um time e nada era maior que a força daquele grupo.

O Tel entendeu o recado. E ele é vencedor daquele troféu, tanto como qualquer um de nós. 

Comentários